segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Automedicacação pode provocar intoxicações fatais

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Muita gente recorre à velha caixa de remédios quando tem um resfriado ou dores de cabeça, buscando com isso um alívio. Esse hábito, tão corriqueiro, pode trazer vários problemas. Afinal, o uso sem prescrição médica é um dos grandes fatores para a ocorrência de intoxicação por medicamentos. Os números registrados no Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas (Sintox) reforçam a necessidade de alerta. Em Minas, somente neste ano, de janeiro a julho, já foram notificados 776 casos de intoxicação relacionados a medicamentos, com 453 confirmações. No mesmo período de 2007, foram 489 casos notificados e 361 confirmados.
De acordo com a farmacêutica do Núcleo de Assessoria Técnica da Secretaria de Estado de Saúde (NAT/SES), Priscila Oliveira Fagundes, a falta de informação é um fator que ajuda a explicar os números. “As pessoas devem procurar o médico e também o farmacêutico no momento da dispensação dos medicamentos para tirar as dúvidas”, afirma.

Propagandas que associam os remédios a sabores de frutas, produtos naturais e efeitos milagrosos também levam o paciente à má utilização ou até mesmo à administração de um medicamento sem necessidade. “O paciente decide por si mesmo tomar medicamentos, induzido por peças publicitárias. Além disso, o acesso é muito fácil, pois muitos medicamentos são adquiridos sem receita”, disse Priscila.

Remédios para o tratamento de ansiedade, antidepressivos, analgésicos e antiflamatórios são os responsáveis pela maioria das causas de intoxicação, cujos efeitos são convulsão, sonolência, vômitos, danos hepáticos, irritações na pele e até mesmo a morte. “As pessoas devem desconfiar de efeitos rápidos. Medicamentos não fazem milagres”, complementa.

Riscos

Um dos perigos apontados pela farmacêutica no uso de medicamentos sem orientação do médico é exatamente a busca por minimizar os sintomas. “Os remédios mascaram estes sinais, o que pode dificultar diagnósticos futuros. Muitas vezes uma dor de cabeça é só a ponta do ‘iceberg’ de algo mais grave”, compara.

Outra prática que deve ser evitada é o abandono ao tratamento. É comum, após uma melhora do quadro clínico, a interrupção do uso dos medicamentos. “No caso de antibióticos, por exemplo, a falta de continuidade permite que as bactérias resistam aos medicamentos, o que torna o tratamento mais complicado, uma vez que é necessário aumentar as doses”, afirma .

Até mesmo o uso de plantas, consagradas pelo uso popular, merecem atenção. Os fitoterápicos, como chás, podem conter substâncias que ingeridas em excesso podem trazer problemas. “Temos o confrei, usado para combater dores gastrointestinais. O uso indiscriminado pode provocar problemas no fígado. A combinação de medicamentos com plantas medicinais também requer cuidado. Por exemplo, a varfarina, um anticoagulante, combinada com boldo e camomila pode acentuar o sangramento”, informa.

O uso simultâneo de álcool e medicamentos deve ser evitado, uma vez que ele pode inibir ou aumentar a ação de alguma substância. “Se combinado com antidepressivos, pode haver aumento do efeito sedativo. De qualquer forma, o uso conjunto é grave e pode tanto prejudicar o tratamento como levar à intoxicação”, alerta a farmacêutica.

Faixa etária

Mulheres grávidas ou em fase de aleitamento, crianças e idosos são os públicos mais suscetíveis à intoxicação por medicamentos. Priscila Fagundes esclarece que isso pode ocorrer por diversos fatores. “As crianças não devem ter remédios ao seu alcance. A atenção deve ser reforçada porque muitos medicamentos voltados para elas têm sabor doce. Os pais também, na tentativa de fazê-las tomar o remédio, incentivam essa associação. Com isso, as crianças podem acabar ingerindo medicamentos sem necessidade se estiverem com acesso facilitado”.

Os idosos devem ficar atentos à combinação de remédios, algo comum nesta faixa etária. Já as mulheres grávidas ou que estão amamentando precisam sempre procurar orientação médica, pois podem transmitir substâncias para o feto ou por meio do leite, gerando problemas.

Superdosagem

A utilização de uma dose maior que a segura de um medicamento pode levar o paciente a uma intoxicação, “Nem sempre a superdosagem causa intoxicação, tudo depende do organismo do paciente. Da mesma maneira que uma pequena dosagem de um medicamento, bastando que ela não seja segura, pode também causar intoxicação, dependendo da sua composição”, afirma.

Atenção com a bula

A bula do medicamento tem a função de informar o paciente sobre o remédio, porém muitas vezes as informações nela contidas não são completas ou possuem uma linguagem complicada. “Os procedimentos que o paciente deve tomar no caso de superdosagem de um medicamento é fator primordial em uma bula, podendo até mesmo evitar uma possível intoxicação”, disse Priscila Fagundes.

Dicas para que os pacientes evitem a intoxicação por medicamentos

• Manter os medicamentos em locais seguros e trancados, fora do alcance das crianças. Geladeiras e banheiros não são locais adequados para o armazenamento;
• Atenção com os medicamentos de embalagens parecidas, erros de uso podem causar a intoxicação. Armazenar os remédios em suas embalagens originais;
• Ingerir apenas medicamentos, que estejam no prazo de validade. Medicamentos fora do prazo não terão efeito ou poderão causar algum mal, até mesmo uma intoxicação. Também evitar uso de remédios com características alteradas, como cor e comprimidos lascados;
• Tomar medicamentos apenas quando necessário; seguir as doses e horários recomendados;
• Não solicitar indicação de balconistas de farmácias quanto ao uso de medicamentos, em caso de dúvidas, procurar o farmacêutico, responsável técnico pelas farmácias e drogarias;
• Relatar ao médico alergias e efeitos colaterais provocados pelo uso de medicamentos;
• Nunca fazer uso simultâneo de álcool e remédios;
• Não aceitar substituições de medicamentos feitas por balconistas;
• Não estimular crianças a ingerir remédios através de frases como “é gostoso, tem sabor de morango”.
• E, principalmente, evitar a automedicação.

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